Andreza Moura fala de confeitaria como quem descreve uma vocação que atravessa o tempo. Especialista em bolos e doces artísticos de pasta americana, ela começou oficialmente na área em 2003, mas a história, na verdade, vem de bem antes: o primeiro bolo confeitado nasceu quando ela tinha apenas 11 anos, feito para uma festa de encerramento na escola, com uma batedeira emprestada da vizinha e aquela coragem típica de quem ainda não sabe que está plantando um futuro inteiro. A partir dali, a cozinha virou território natural. Em cada evento de família, lá estava ela preparando sobremesas e bolos, até que a rotina ganhou outro peso e outro sentido com a chegada dos filhos — quando a vontade de cuidar e a necessidade de criar algo com as próprias mãos se intensificaram.

O que era paixão, porém, se transformou em profissão num período em que a vida exigiu decisões rápidas e firmes. Em meio a dificuldades financeiras, Andreza precisou pedir demissão para cuidar da filha, que estava adoecendo com frequência. O que havia de reserva foi colocado em um novo caminho: ela investiu para trabalhar como esteticista, tentando recomeçar. Só que o retorno veio lento, enquanto as contas chegavam no ritmo de sempre. Foi nesse cenário que ela tomou uma decisão que mudaria tudo. Sem estrutura ideal, sem materiais apropriados e contando principalmente com receitas de família, Andreza começou a fazer os “bolinhos da moda” da época: cupcakes. As primeiras fornadas não foram em formas sofisticadas, mas em forminhas de empada, do jeito que dava. E foi exatamente assim, simples e verdadeiro, que ela saiu para vender na porta da escola e no bairro onde morava. Em duas semanas, o resultado surpreendeu: as dívidas começaram a ser organizadas, o fôlego voltou e, junto dele, uma pergunta inevitável apareceu: seguir na estética ou assumir de vez a confeitaria?

A resposta, para ela, não veio de um cálculo frio, e sim de um momento de fé. Andreza orou pedindo direção e, ao terminar, abriu a Bíblia e se deparou com uma palavra que parecia ter sido colocada ali com endereço certo: “Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco quer muito.” (Eclesiastes 5:12). Aquilo foi um sinal. A partir dali, ela escolheu a confeitaria como caminho definitivo — com fé, trabalho, desafios e sonhos que não pararam de crescer.

Ao longo dessa trajetória, vieram cursos em São Paulo para aprimorar técnica, visão e acabamento. Curiosamente, na área que se tornaria sua marca registrada, a pasta americana — ela não fez cursos formais. Andreza conta que foi aprendendo na prática, testando, observando, insistindo e, sobretudo, confiando no dom que acredita ter recebido de Deus, que a capacita todos os dias. É por isso que, em cada trabalho finalizado, o que se vê não é só habilidade: há cuidado, dedicação e gratidão em cada detalhe. Já são 12 anos entregando o melhor de si nesse universo doce, onde cada pedido carrega uma história e nenhum projeto se repete de verdade.

Para ela, o segredo não está somente no talento, mas na postura: entender que cada encomenda é única, manter-se atualizada num mercado cheio de tendências e, acima de tudo, reconhecer o valor de cada cliente que confia em suas mãos um dia especial — e espera sair dele com uma lembrança bonita para sempre. Andreza também não romantiza o caminho: existem dias difíceis, fases de cansaço e momentos em que é preciso recuar um pouco para ganhar impulso. Só que, com perseverança, ela acredita que se alcança o propósito e se vive o extraordinário de Deus no tempo certo.
No fim, o que Andreza entrega vai além do açúcar e do acabamento perfeito. O que ela busca, como prioridade, é transformar doces e bolos em obras de arte comestíveis — peças que encantam, celebram e criam memórias surpreendentes, daquelas que ninguém esquece quando a festa termina.
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@andrezamouramg.


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